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Hoje é dia de pomarola

12/08/2009

Dia das Mães, Dia dos Avós, Dia dos Pais. O Lucas agora deu pra perguntar (todo dia) “Dia de quê é hoje?”

E hoje não foi diferente.

_Mãe, hoje é dia de quê?

Olho na agenda e pacientemente respondo:

_Hoje é dia das artes.

_Dia das artes? Então hoje eu posso fazer arte, Mãe?

Juro que a conversa foi exatamente assim!

Droga, que merda!

11/07/2009

O Lucas estava assistindo TV e alguém falou “Que droga!”. Ele veio correndo me falar:

_Mãe! Mãe! Ele falou droga! Ele falou droga na televisão!

_Filho, droga não é uma palavra bonita, mas não tem problema falar.

_Ah, é! É merda! Eu confundi. É merda que não pode falar, né mãe? Merda, né? Merda. Merda, né mãe? Achei que droga era merda.

¬¬

Física e infância

01/07/2009

Estava no parquinho com as crianças observando elas brincarem. E corre para cá, e corre para lá, e corre para acolá.

Um dos disputados balanços ficou livre quando uma das crianças desceu dele correndo para subir no tobogã, Lindoca correu até o brinquedo recentemente desocupado e logo começou a se balançar.

Ela segurando as correntes firmemente esticadas inclinou o balanço para trás enquanto dobrava os joelhos, soltou o corpo e deixou a gravidade e a inércia fazer o resto, quando o balanço alcançou o ponto mais alto ela esticou as pernas para cima, colocando mais energia no movimento que começava a retroceder. Rapidamente ela encolheu as pernas fazendo com que os pés ficassem abaixo do quadril, tão próximo do chão que parecia que as pontas dos pés tocariam o chão atrapalhando o movimento, mas a posição era perfeita, quando a energia do movimento começava a perder para a força da gravidade a jovenzinha habilidosamente jogava os pés de encontro ao chão, empurrando o seu corpo e o brinquedo mais acima, em seguida esticava novamente as pernas para ajudar no movimento de ascensão.

E ela repetia esse movimento com perfeição, sem interrupção, com ritmo e com uma graciosidade mecânica. Gravidade, energia, inércia, gravidade de novo, inércia e então começava tudo de novo.

Pensei nas minhas aulas de física, e em como toda essa brincadeira gostosa de movimento e velocidade seria um dia, transformada em algo desinteressante e maçante por algum professor ou pela responsabilidade de um vestibular. Crescer às vezes é muito chato!

Falando em Rei

26/06/2009

Já que o assunto é a morte do Rei do Pop, deixa eu contar uma do Lucas…

Sempre falo que ele é meu principezinho toda mãe é brega. Dia desses chamei ele de reizinho e ele logo me corrigiu:

_Se eu for o rei, você vai ter que ser minha filha.

_Por quê?

_Porque a filha do rei é a princesa!

Óun! Vai ser pedreiro quando crescer

Sonhos

19/06/2009

Lucas acordou e me contou todo triste, que não havia sonhado com nada. Falei que provavelmente ele sonhou com alguma coisa, mas não se lembrava mais. Expliquei que às vezes a gente sonha e assim que acorda, esquece o que sonhou.

_Mãe, então me conta o que eu sonhei?

É… acho que ele ainda não entendeu direito como funcionam os sonhos. =)

Na minha sombra

17/06/2009

Em uma das conversas com as crianças a menina pergunta.

– Pai, o que eu vou ser quando crescer?

– Bem, eu espero que vocês sejam pessoas honestas e dignas, que cresçam com inteligência e possam caminhar sem minha sombra.

– Por que sem sua sombra? – perguntou o menino.

– É modo de falar filho, quer dizer que vocês vão poder ser virar sem mim, apesar de que o papai sempre vai estar por perto pra ajudar.

Já era tarde e coloquei todos na cama. No dia seguinte a rotina de sempre, levanta, dá comida para o cachorro, banho, café da manhã, e lá vou eu levá-los para a escola.

No caminho reparo que eles estão muito animados, pulando e correndo na minha frente, e salta pra lá, salta pra cá, um empurra o outro, o outro corre para o outro lado, fazia tempo que não ficavam tão animados logo de manhã. Em um cruzamento eles me esperam para atravessarem a rua.

– Do que vocês estão brincando? – perguntei curioso.

– Daquilo que o papai falou ontem. – respondeu a menina já subindo na outra calçada.

– O que eu falei ontem?

– Sobre ficarmos na sua sombra – e saiu correndo junto com o irmão tentando pisar na minha sombra que se projetava no chão.

Poeticamente quando eles pensavam que estavam em cima da minha sombra, na verdade ela ficava sobre as costas deles, assim como eu, observando orgulhoso os dois correndo e rindo felizes.

Curtinha

10/06/2009

O Lucas conversando com meu primo:

_Como é o nome da sua vó?

_Ela se chamava Henriqueta.

Lucas pensa um pouco e pergunta:

_E agora, como ela chama?

Eu, o Wini e o hospital

28/05/2009

Quem me acompanha no Twitter sabe que passei por bons bocados com meu filho essa semana, faço um resuminho do ocorrido abaixo. Obrigado a todo mundo que mandou mensagens desejando melhoras para ele, vocês fizeram diferença com seus votos de melhoras. Valeu 😀

Na semana passada Wini começou a ter febres e dores abdominais, levei à médica que disse:

– Ele está com características de uma forte diarréia. Ele não teve diarréia?

– Não senhora – respondi.

– Mesmo?

– Eu teria notado com certeza.

– Vamos fazer um hemograma e ver o que dá.

As palavras estranhas despertaram o sentido aranha do menino

– Eu vou ter que tomar injeção? – perguntou o desconfiado guri.

– Olha filho – tentei explicar – lembra quando você fez exame de sangue?

– Haaa não pai. – protestou ele.

– Filho, precisamos saber direitinho o que você tem para sabermos como tirar sua dor. Você não quer ficar sem dor?

– Quero.

– Então…?

– Tá bom – completamente contrariado.

Fomos para o laboratório, e fomos atendidos por uma moça tinha um cabelo vermelho armado, um nariz torto, a boca pequena e quase sem lábios e um queixo protuberante, enfim, a moça parecia não ser de verdade.

– Vamos tirar a temperatura dele antes – declarou a beldade assim que tocou na pele do menino e notou a temperatura acima do normal.

Constatada a febre explicou que devíamos antes baixar a febre dele para que o exame não saísse alterado..

– Vamos dar uma injeção de dipirona nele – falou a personagem saída de um livro do Tolkien.

A menção sobre injeção fez o menino endurecer.

– Tenho que tomar injeção pai?

– Infelizmente filho, para baixar a febre.

– Mais então eu não vou tirar sangue não é?

– Sim filho, depois de a febre abaixar você volta para fazer o exame de sangue.

– Não acredito, vocês vão me furar todo.

Eu daria risada se não fosse trágico.

Saindo do laboratório Wini fez um comentário obviamente baseado na aparência da enfermeira.

– Pai, só tem gente feia nesse hospital.

– Não diga isso filho – tentando inocentemente corrigir a má impressão – olha só, a enfermeira que te atendeu na pediatria é bonita não é?

– É… ela é bonita.

E voltamos para a pediatria onde a tal enfermeira iria aplicar a tal dipirona, enquanto ela preparava o medicamento eu aguardava em uma cadeira com o Wini no colo quando ele solta.

– Meu pai falou que você é bonita!

Arregalei os olhos na impossibilidade de corrigir ou mesmo explicar de uma forma digna o comentário do menino. A jovem igualmente constrangida pergunta.

– Ele toma no braço ou no bumbum?

– Onde dói mais? – pergunto vingativamente.

Depois de aplicada a injeção aguardamos ela fazer efeito, depois de trinta minutos nada de passar a febre, a médica aparece na porta.

– A febre cedeu pai?

– Ainda não doutora.

– Então dê um banho nele no chuveiro da pediatria, vai funcionar.

Lá vou eu explicar para o menino.

– Filho, vamos te dar um banho.

– Banho para que pai?

– Para baixar sua febre.

– E eu tomei injeção para que então?

Dado o banho a resistente febre finalmente baixou e ele pode fazer o exame de sangue sobre protestos. Depois de pronto o resultado a médica disse que o exame tinha saído muito fora dos padrões, possivelmente por causa da febre. Pediu uma ecografia.

Eu posso ter alguma deficiência mas me respondam, alguém consegue realmente ver alguma coisa na maquina de ultra som? Para mim é apenas uma tela com estática. Feito o exame a pediatra observou, fez aquela cara de “xiiii”

– Vou confirmar com um cirurgião, mas seu filho parece estar com apendicite.

Recordei rapidamente o que era apêndice, me lembrei que era uma parte do intestino que serve para ferrar com sua vida tanto quanto o dente do siso e outras coisas da natureza como a sogra. Fomos aguardar o cirurgião que declarou:

-É… seu filho está com apendicite, vamos ter que operar.

Mantive a calma, pensei eu, vamos marcar algumas consultas, um dia para interná-lo, operar no dia seguinte, tudo planejado e com calma. O médico continuou.

– Vamos interná-lo agora e operar em umas três horas.

– O que?!?!?

– O senhor leva esses papeis ali, assina aqui, faz isso acolá.

E eu com cara de “como assim”, saímos de casa esperando voltar para ainda ver as séries que fez download a tarde e de repente vão abrir a barriga do meu filho?

Wini ficou mais tranqüilo do que eu quando expliquei o que ia ser feito e uma hora depois de sair da sala do cirurgião ele dormiu no meu colo e foi imediatamente transferido para a sala de cirurgia. Entregaram-me uma daquelas roupas azuis para vestir e o Wini acordou a caminho do centro cirúrgico comigo do lado, brincamos, conversamos, ele continuava tranqüilo.

Chegou a hora de colocá-lo na mesa da cirurgia, fiquei com dó dele fazendo aquela carinha de “está doendo”, entrou o anestesista e injetou um troço branco no soro que estava no braço do menino ele virou os olhos pra cima e ficou mudo, injeta outra coisa no soro e ele apaga em meio segundo. Juro que fiquei com vontade de socar o anestesista enquanto gritava “não mexe com meu filho pô”, mas me segurei.

Desse ponto em diante fui expulso da sala de cirurgia, depois de cinqüenta minutos uma enfermeira me avisa que estava tudo bem e que ele iria para o quarto assim que a anestesia perdesse efeito.

Passei quarto dias dormindo no sofá do quarto vendo ele com dores, fazendo carinho, conversando, falando com Papai do Céu, na tarde do quarto dia ele recebeu alta, e hoje sei que já está bem mais saudável por que temos que gritar com ele:

– Menino, para de pular que você vai abrir esses pontos caramba!!!!!

Lógica infantil

22/05/2009

Essa semana o Wini ficou doente, teve febres e fortes dores abdominais. Pela manhã apenas a Lindoca iria para a escola e estava esperando um pão na chapa, que eu estava preparando, quando o irmão começa a me chamar do quarto, peço para a solicita irmã.

– Linda, veja para mim o que seu irmão quer.

– Sim papai – e levantou-se.

Minutos depois o menino continua me chamando insistentemente.

– Lindaaaa, eu não pedi para você ver o que ser irmão quer?

– Sim!

– E ai? O que ele quer?

– Quer você! Está gritando “papai” faz um tempão.

Hora de dormir

21/05/2009

– Vamos crianças, chega de brincar, hora de ir para a cama.

Escova dentes, guarda brinquedo, arruma cama, pega cobertor, aquela rotina.

– Boa noite Linda – beijo – boa noite Wini – beijo.

– Pai?

– Fala Wini!

– Dê boa noite para o meu “cuelinho” – Se referindo a um coelho de pelúcia.

– Boa noite coelho bobão.

– Ele não é bobão pai!!!! – bravo

– Eu não falei bobão, falei babão!

– Paieeee!!! – ainda bravo.

– Brincadeira, boa noite, durmam bem.

Venho para o meu quarto escrever um pouco, depois de alguns minutos a voz do Wini grita do quarto.

– Pai, a Linda não está dormindo!!!

– E nem você não é Wini!?!? – respondo em seguida.

– Estou sim pai, claro que estou – responde o menino convencido de sua lógica infantil infalível.