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Física e infância

01/07/2009

Estava no parquinho com as crianças observando elas brincarem. E corre para cá, e corre para lá, e corre para acolá.

Um dos disputados balanços ficou livre quando uma das crianças desceu dele correndo para subir no tobogã, Lindoca correu até o brinquedo recentemente desocupado e logo começou a se balançar.

Ela segurando as correntes firmemente esticadas inclinou o balanço para trás enquanto dobrava os joelhos, soltou o corpo e deixou a gravidade e a inércia fazer o resto, quando o balanço alcançou o ponto mais alto ela esticou as pernas para cima, colocando mais energia no movimento que começava a retroceder. Rapidamente ela encolheu as pernas fazendo com que os pés ficassem abaixo do quadril, tão próximo do chão que parecia que as pontas dos pés tocariam o chão atrapalhando o movimento, mas a posição era perfeita, quando a energia do movimento começava a perder para a força da gravidade a jovenzinha habilidosamente jogava os pés de encontro ao chão, empurrando o seu corpo e o brinquedo mais acima, em seguida esticava novamente as pernas para ajudar no movimento de ascensão.

E ela repetia esse movimento com perfeição, sem interrupção, com ritmo e com uma graciosidade mecânica. Gravidade, energia, inércia, gravidade de novo, inércia e então começava tudo de novo.

Pensei nas minhas aulas de física, e em como toda essa brincadeira gostosa de movimento e velocidade seria um dia, transformada em algo desinteressante e maçante por algum professor ou pela responsabilidade de um vestibular. Crescer às vezes é muito chato!

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Na minha sombra

17/06/2009

Em uma das conversas com as crianças a menina pergunta.

– Pai, o que eu vou ser quando crescer?

– Bem, eu espero que vocês sejam pessoas honestas e dignas, que cresçam com inteligência e possam caminhar sem minha sombra.

– Por que sem sua sombra? – perguntou o menino.

– É modo de falar filho, quer dizer que vocês vão poder ser virar sem mim, apesar de que o papai sempre vai estar por perto pra ajudar.

Já era tarde e coloquei todos na cama. No dia seguinte a rotina de sempre, levanta, dá comida para o cachorro, banho, café da manhã, e lá vou eu levá-los para a escola.

No caminho reparo que eles estão muito animados, pulando e correndo na minha frente, e salta pra lá, salta pra cá, um empurra o outro, o outro corre para o outro lado, fazia tempo que não ficavam tão animados logo de manhã. Em um cruzamento eles me esperam para atravessarem a rua.

– Do que vocês estão brincando? – perguntei curioso.

– Daquilo que o papai falou ontem. – respondeu a menina já subindo na outra calçada.

– O que eu falei ontem?

– Sobre ficarmos na sua sombra – e saiu correndo junto com o irmão tentando pisar na minha sombra que se projetava no chão.

Poeticamente quando eles pensavam que estavam em cima da minha sombra, na verdade ela ficava sobre as costas deles, assim como eu, observando orgulhoso os dois correndo e rindo felizes.

Eu, o Wini e o hospital

28/05/2009

Quem me acompanha no Twitter sabe que passei por bons bocados com meu filho essa semana, faço um resuminho do ocorrido abaixo. Obrigado a todo mundo que mandou mensagens desejando melhoras para ele, vocês fizeram diferença com seus votos de melhoras. Valeu 😀

Na semana passada Wini começou a ter febres e dores abdominais, levei à médica que disse:

– Ele está com características de uma forte diarréia. Ele não teve diarréia?

– Não senhora – respondi.

– Mesmo?

– Eu teria notado com certeza.

– Vamos fazer um hemograma e ver o que dá.

As palavras estranhas despertaram o sentido aranha do menino

– Eu vou ter que tomar injeção? – perguntou o desconfiado guri.

– Olha filho – tentei explicar – lembra quando você fez exame de sangue?

– Haaa não pai. – protestou ele.

– Filho, precisamos saber direitinho o que você tem para sabermos como tirar sua dor. Você não quer ficar sem dor?

– Quero.

– Então…?

– Tá bom – completamente contrariado.

Fomos para o laboratório, e fomos atendidos por uma moça tinha um cabelo vermelho armado, um nariz torto, a boca pequena e quase sem lábios e um queixo protuberante, enfim, a moça parecia não ser de verdade.

– Vamos tirar a temperatura dele antes – declarou a beldade assim que tocou na pele do menino e notou a temperatura acima do normal.

Constatada a febre explicou que devíamos antes baixar a febre dele para que o exame não saísse alterado..

– Vamos dar uma injeção de dipirona nele – falou a personagem saída de um livro do Tolkien.

A menção sobre injeção fez o menino endurecer.

– Tenho que tomar injeção pai?

– Infelizmente filho, para baixar a febre.

– Mais então eu não vou tirar sangue não é?

– Sim filho, depois de a febre abaixar você volta para fazer o exame de sangue.

– Não acredito, vocês vão me furar todo.

Eu daria risada se não fosse trágico.

Saindo do laboratório Wini fez um comentário obviamente baseado na aparência da enfermeira.

– Pai, só tem gente feia nesse hospital.

– Não diga isso filho – tentando inocentemente corrigir a má impressão – olha só, a enfermeira que te atendeu na pediatria é bonita não é?

– É… ela é bonita.

E voltamos para a pediatria onde a tal enfermeira iria aplicar a tal dipirona, enquanto ela preparava o medicamento eu aguardava em uma cadeira com o Wini no colo quando ele solta.

– Meu pai falou que você é bonita!

Arregalei os olhos na impossibilidade de corrigir ou mesmo explicar de uma forma digna o comentário do menino. A jovem igualmente constrangida pergunta.

– Ele toma no braço ou no bumbum?

– Onde dói mais? – pergunto vingativamente.

Depois de aplicada a injeção aguardamos ela fazer efeito, depois de trinta minutos nada de passar a febre, a médica aparece na porta.

– A febre cedeu pai?

– Ainda não doutora.

– Então dê um banho nele no chuveiro da pediatria, vai funcionar.

Lá vou eu explicar para o menino.

– Filho, vamos te dar um banho.

– Banho para que pai?

– Para baixar sua febre.

– E eu tomei injeção para que então?

Dado o banho a resistente febre finalmente baixou e ele pode fazer o exame de sangue sobre protestos. Depois de pronto o resultado a médica disse que o exame tinha saído muito fora dos padrões, possivelmente por causa da febre. Pediu uma ecografia.

Eu posso ter alguma deficiência mas me respondam, alguém consegue realmente ver alguma coisa na maquina de ultra som? Para mim é apenas uma tela com estática. Feito o exame a pediatra observou, fez aquela cara de “xiiii”

– Vou confirmar com um cirurgião, mas seu filho parece estar com apendicite.

Recordei rapidamente o que era apêndice, me lembrei que era uma parte do intestino que serve para ferrar com sua vida tanto quanto o dente do siso e outras coisas da natureza como a sogra. Fomos aguardar o cirurgião que declarou:

-É… seu filho está com apendicite, vamos ter que operar.

Mantive a calma, pensei eu, vamos marcar algumas consultas, um dia para interná-lo, operar no dia seguinte, tudo planejado e com calma. O médico continuou.

– Vamos interná-lo agora e operar em umas três horas.

– O que?!?!?

– O senhor leva esses papeis ali, assina aqui, faz isso acolá.

E eu com cara de “como assim”, saímos de casa esperando voltar para ainda ver as séries que fez download a tarde e de repente vão abrir a barriga do meu filho?

Wini ficou mais tranqüilo do que eu quando expliquei o que ia ser feito e uma hora depois de sair da sala do cirurgião ele dormiu no meu colo e foi imediatamente transferido para a sala de cirurgia. Entregaram-me uma daquelas roupas azuis para vestir e o Wini acordou a caminho do centro cirúrgico comigo do lado, brincamos, conversamos, ele continuava tranqüilo.

Chegou a hora de colocá-lo na mesa da cirurgia, fiquei com dó dele fazendo aquela carinha de “está doendo”, entrou o anestesista e injetou um troço branco no soro que estava no braço do menino ele virou os olhos pra cima e ficou mudo, injeta outra coisa no soro e ele apaga em meio segundo. Juro que fiquei com vontade de socar o anestesista enquanto gritava “não mexe com meu filho pô”, mas me segurei.

Desse ponto em diante fui expulso da sala de cirurgia, depois de cinqüenta minutos uma enfermeira me avisa que estava tudo bem e que ele iria para o quarto assim que a anestesia perdesse efeito.

Passei quarto dias dormindo no sofá do quarto vendo ele com dores, fazendo carinho, conversando, falando com Papai do Céu, na tarde do quarto dia ele recebeu alta, e hoje sei que já está bem mais saudável por que temos que gritar com ele:

– Menino, para de pular que você vai abrir esses pontos caramba!!!!!

Lógica infantil

22/05/2009

Essa semana o Wini ficou doente, teve febres e fortes dores abdominais. Pela manhã apenas a Lindoca iria para a escola e estava esperando um pão na chapa, que eu estava preparando, quando o irmão começa a me chamar do quarto, peço para a solicita irmã.

– Linda, veja para mim o que seu irmão quer.

– Sim papai – e levantou-se.

Minutos depois o menino continua me chamando insistentemente.

– Lindaaaa, eu não pedi para você ver o que ser irmão quer?

– Sim!

– E ai? O que ele quer?

– Quer você! Está gritando “papai” faz um tempão.

Hora de dormir

21/05/2009

– Vamos crianças, chega de brincar, hora de ir para a cama.

Escova dentes, guarda brinquedo, arruma cama, pega cobertor, aquela rotina.

– Boa noite Linda – beijo – boa noite Wini – beijo.

– Pai?

– Fala Wini!

– Dê boa noite para o meu “cuelinho” – Se referindo a um coelho de pelúcia.

– Boa noite coelho bobão.

– Ele não é bobão pai!!!! – bravo

– Eu não falei bobão, falei babão!

– Paieeee!!! – ainda bravo.

– Brincadeira, boa noite, durmam bem.

Venho para o meu quarto escrever um pouco, depois de alguns minutos a voz do Wini grita do quarto.

– Pai, a Linda não está dormindo!!!

– E nem você não é Wini!?!? – respondo em seguida.

– Estou sim pai, claro que estou – responde o menino convencido de sua lógica infantil infalível.

Em Defesa Da Infância

18/05/2009

Alguém ai com o pé nos trinta lembra do filme “O Demolidor“? Não, não estou falando daquela coisa horrível que fizeram com o personagem da marvel, estou falando daquele com o Stallone e a Sandra Bullock. Lembro que quando eles resolvem fazer sexo sem contato físico usando uma máquina o personagem do Stallone pergunta sobre como fazem para ter filhos, e Bullock responde sobre preencher formulários, pedidos, autorizações.

As vezes observo as notícias de hoje, e penso se esse sistema fascista para ter filhos seria justificável. Calma, não atirem pedras em mim ainda, mas vocês têm que concordar, tem algo muito errado com o mundo em que vivemos.

Todos os dias mais de 18 mil crianças são espancadas no país, todo dia ouvimos histórias sobre abuso sexual contra crianças, são registrados por ano 500 mil, prestou atenção ao número? QUINHENTOS MIL casos de violência doméstica de diferentes tipos. Em 70% dos casos os agressores são pais biológicos.

Vamos olhar isso com calma. Os pais que deveriam ser os responsáveis pela proteção dessas crianças que não podem elas mesmo se defenderem e cuidarem de si sozinhas são na maioria dos casos responsáveis por agredi-las. O queixo de mais alguém ai caiu?

E a coisa é ainda mais assustadora quando falamos de violência sexual. Violentar sexualmente uma criança, e a maior parte das vezes o… (me faltam palavras pra definir uma pessoa dessas) monstro ainda é da família. É de embrulhar o estomago, mas vamos tentar manter a coisa em uma perspectiva menos pessoal, se eu conseguir.

A maior parte do crimes recebe um “incentivo” para ser cometido muito simples, o bandido acredita que não será pego. Se ele tiver a certeza que existe uma grande chance de ser pego ele não vai cometer o crime. Ok, alguém vai me falar que um pedófilo é um doente, que precisa de tratamento, que não responde por seus atos, mas sinceramente isso me soa como defesa de advogado irresponsável… ok, lá se foi minha perspectiva menos pessoal. Retornando.

Uma maneira de ajudarmos a evitar esse tipo de crime é dificultar que ele seja cometido, é conversar com nossos filhos, sobrinhos, amigos e todos os pais que tenham filhos.

  • Explique para as crianças a importância que seu corpo tem. O quanto o nosso corpo é único e como deve ser tratado com respeito;
  • Não devem existir segredos entre pais e filhos, diga a eles que se alguém pedir para “guardar segredo” sobre algo, isso não pode ser uma boa coisa e os pais ou alguém de confiança próximo deve ser informado desse segredo;
  • As crianças devem ser alertadas sobre estranhos que querem tirar fotos dela, novamente o respeito ao nosso corpo é importante;
  • As crianças devem aprender a desconfiar de presentes de estranhos, ofertas de entrar em carros e outros locais reservados então nem pensar;
  • Explicar a elas para se afastarem de pornografia ou pessoas que fazem gestos obsceno ou gestos que elas não entendem, sempre informar um responsável imediatamente se isso ocorrer;
  • Ensinem seus filhos a usar o telefone, a saberem ou terem anotado o celular dos pais e como ligarem em caso de uma emergência;
  • Essa é especifica para os pais, preste atenção nas roupas e no modo de falar de seus filhos, se vocês querem que eles seja respeitados, façam com que a aparência e comportamento deles ajude nisso;

Não existe coisa mais valiosa que a vida humana, a não ser a vida humana inocente, essa é nossa responsabilidade cuidar e proteger.

Esse post é um apoio ao movimento Blogagem Coletiva – “Em Defesa Da Infância” 2009 participe você também ajudando a divulgar.

Como se defender de um ataque zumbi

11/05/2009

Sou um fã de jogos eletrônicos, entre os vários que eu gosto adoro a série Resident Evil. Na verdade tenho um certo apreso pelo universo dos zumbis, Lindoca me viu jogando Resident Evil 4 e eu reclamando da minha dificuldade de acertar os zumbis na cabeça.

– Por que tem que ser na cabeça pai?

– Porque é o único jeito de matar um zumbi filha, acertando na cabeça.

– Haaaa… entendi.

A noite fomos brincar na sala, e brinca de super-herói, de ninja, de astronauta, e no meio da brincadeira eu virei o “papai-zumbi”, que agarrou o Wini para devorar-lhe o cérebro. Entre as risadas do menino sobre o sofá tentando se livrar da mordida que o converteria em um zumbi a Lindoca correu para o banheiro

– Há, agora quando eu te morder você vai virar um zumbi também Wini.

– Não vou não, você não vai conseguir – retrucava o pequeno herói enquanto se debatia, mas então chegou o resgate.

– Larga meu irmão seu zumbi.

A Lindoca tinha ido ao banheiro pegar o rodo, e me acertou com a ponta desde bem no meio dos olhos me derrubando ao chão.

Levei a mão entre os olhos e um corte começava a sangrar. Ela olhou assustada, largou o rodo, o Wini se encolheu no sofá.

– Linda, você viu o que você fez?

– Mas o papai falou que era a única maneira de derrubar um zumbi.

– Ainda bem que não te falei sobre motoserras ou decapitação – fui ao banheiro limpar a ferida.

Eles ficaram assustados e pedindo mil desculpas. Quando sai do banheiro a Linda perguntou.

– Pai, o que é decapitação?

– Não te interessa Linda, não te interessa.

Como NÃO dar uma notícia

30/04/2009

A idéia desse post surgiu enquanto eu lia o Mamie Bella, um um website do Boticário que sobre um concurso para eleger a grávida mais bela do Brasil, e divulgar uma linha de produtos claro [onomatópeia de caixa registradora].

Já conheceram aquela mulher que não é um mulherão, não tem nada de extraordinário, mas você vê nela uma beleza especial. E sempre tem alguém querendo conhecê-la. Aquela que sem exibir demasiadamente o corpo consegue ser bonita e chamar a atenção quando passa na rua ou quando senta em uma mesa de bar com as amigas.

Essa mulher tem um brilho de vida. É essa a palavra: vida. Com muitas mulheres grávidas acontece a mesmas coisa, e se você pensar bem, ela tem o dobro de vida. Fiquei olhando as fotos das concorrentes, acho lindo mulher grávida.

Mas estou me estendendo demais nessa explicação, esse assunto é para outro blog (seja ele qual for).

A experiência que eu queria contar a vocês foi como eu recebi a notícia que ia ser pai.

A mãe das crianças sempre teve problemas com hormônios, e essas coisas de mulher (obrigado por ter nascido homem), ela estava algumas semanas atrasada e fomos ao médico. Na sala de espera folheava aquelas revistas velhas pensando se iria falir o médico comprar o jornal do dia para deixar lá. A atendente chamou:

– Senhora Fulana?

Levantamos os dois.

– Posso ir sozinha? – me perguntou ela.

– Ok. – Estranhei, mas concordei sem discutir, e me sentei de novo.

Ela voltou em alguns minutos, paguei a consulta e saímos do consultório, ela sem falar uma palavra. Começamos a caminhar, quebrei o silêncio.

– E ai?

– E ai o que? – respondeu ela.

– Como foi?

– Foi legal.

Legal? O que diabos isso significa? Comecei a ficar intrigado sem nem desconfiar o que estava por vir.

– Como assim legal? O que o médico disse?

– Bem, ele disse que, se correr tudo bem, em uns oito meses você vai ser pai.

E ai o mundo ficou branco, o chão sumiu dos meus pés, perdi a noção do que era direita, esquerda, acima, abaixo, não tinha gravidade, o ar escapou dos meus pulmões, nem sombra eu fazia mais. Tomei a única atitude sensata naquele momento. Sentei no chão, no meio da calçada.

– Você ta bem? Levanta.

– …

– Fala alguma coisa.

– …

Ela começou a me puxar pelo braço. Tentei levantar sem sucesso.

– …

– Levanta, está todo mundo olhando.

Comecei a levantar devagar.

– Tudo bem? – ela perguntou de novo.

– Minha nossa… ISSO É JEITO DE DAR ESSA NOTÍCIA?!?! – desabafei enquanto sentia o mundo reiniciar seu movimento de rotação.

Tudo muito bom

28/04/2009

Hoje pela manhã meu celular/despertador começou a tocar e eu comecei a tatear desastrosamente a mesa em busca dele, abri os olhos e minha filha estava com ele na mão, já estava vestindo o uniforme da escola.

– Pode dormir mais um pouco papai.

– Ok – respondi meio sonolento e puxei as cobertas sobre os ombros, em seguida levantei em um estalo.

Pisquei os olhos e a Linda realmente estava saindo do meu quarto.

Levantei e o menino estava acabando de trocar de roupa sozinho, me deu bom dia e pediu para eu amarrar seu tênis.

Fui à cozinha e a Linda estava terminando de bater leite com chocolate, olhei pela janela e um lindo céu azul, como só temos em Brasília, sem uma única nuvem era iluminado por um sol matinal.

Chegamos ao colégio no horário, me despedi das crianças e fui pegar o ônibus para o trabalho. Quando sentei no fundo do ônibus encolhi os ombros e olhei para os lados sem mexer a cabeça desconfiado.

– Não é possível, alguma coisa vai dar muito errada no dia de hoje. Certeza!

Na hora de dormir

27/04/2009

Meus filhos antes de virem morar comigo estavam com a mãe e a avó materna, lá eles adquiriram o hábito de dormirem na cama da mãe ou na cama da avó. Aqui eu providenciei um quarto para eles dividirem e uma cama para cada.

No meio da noite a menina bate à minha porta.

– Pai, estou com medo.

– Medo do que filha?

– Do escuro.

– Teu pai é escuro, você tem medo de mim?

– Hã???

– Esquece. – pego ela pela mão e levo até o quarto, acendo a luz.

– Veja, tem algo aqui para ter medo?

Lá estava o guarda-roupa com adesivos colados a porta, a cama dela cheia de bichos de pelúcia e o irmão dormindo na cama ao lado.

– Não.

– Então, no escuro é a mesma coisa, mas sem luz.

– Deita comigo um pouco?

– Filha – me abaixo para falar com ela – você tem sua cama, o papai tem a dele, o Wini tem a dele. Cada um dorme em sua cama.

– Por favor.

– Ok, vou sentar aqui no cantinho e esperar você dormir.

Em alguns minutos ela pegou no sono e eu babei na cadeira até ser desperto pela gravidade tentando me levar ao chão.

Pensei em como minha mãe, Dona Juju, resolveu esse problema comigo e a lembrança dela gritando: “-Vai dormir que não tem nada ai menino, não acende mais essa luz” me pareceu eficiente mas um pouco abrupta.

No dia seguinte pela manhã coloquei um torrent para baixar adquiri toda a primeira temporada de “As Terríveis Aventuras de Billy e Mandy“. Para quem não conhece é um desenho da Cartoon Network onde Billy, um garoto absolutamente estúpido, e Mandy, uma menina completamente mau humorada e sádica, fazem amizade com o Ceifador Sinistro, ou seja, a personalização da morte, apilidado por eles de Puro-Osso.

O desenho é cheio de zumbis, vampiros, fantasmas e leve humor negro. Aproveito os episódios para falar com eles sobre como essas coisas não existem e que se sonharem com elas devem aproveitar que é um sonho mesmo e chutar o traseiro fantasmagórico deles com muita força.