Eu, o Wini e o hospital

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Quem me acompanha no Twitter sabe que passei por bons bocados com meu filho essa semana, faço um resuminho do ocorrido abaixo. Obrigado a todo mundo que mandou mensagens desejando melhoras para ele, vocês fizeram diferença com seus votos de melhoras. Valeu 😀

Na semana passada Wini começou a ter febres e dores abdominais, levei à médica que disse:

– Ele está com características de uma forte diarréia. Ele não teve diarréia?

– Não senhora – respondi.

– Mesmo?

– Eu teria notado com certeza.

– Vamos fazer um hemograma e ver o que dá.

As palavras estranhas despertaram o sentido aranha do menino

– Eu vou ter que tomar injeção? – perguntou o desconfiado guri.

– Olha filho – tentei explicar – lembra quando você fez exame de sangue?

– Haaa não pai. – protestou ele.

– Filho, precisamos saber direitinho o que você tem para sabermos como tirar sua dor. Você não quer ficar sem dor?

– Quero.

– Então…?

– Tá bom – completamente contrariado.

Fomos para o laboratório, e fomos atendidos por uma moça tinha um cabelo vermelho armado, um nariz torto, a boca pequena e quase sem lábios e um queixo protuberante, enfim, a moça parecia não ser de verdade.

– Vamos tirar a temperatura dele antes – declarou a beldade assim que tocou na pele do menino e notou a temperatura acima do normal.

Constatada a febre explicou que devíamos antes baixar a febre dele para que o exame não saísse alterado..

– Vamos dar uma injeção de dipirona nele – falou a personagem saída de um livro do Tolkien.

A menção sobre injeção fez o menino endurecer.

– Tenho que tomar injeção pai?

– Infelizmente filho, para baixar a febre.

– Mais então eu não vou tirar sangue não é?

– Sim filho, depois de a febre abaixar você volta para fazer o exame de sangue.

– Não acredito, vocês vão me furar todo.

Eu daria risada se não fosse trágico.

Saindo do laboratório Wini fez um comentário obviamente baseado na aparência da enfermeira.

– Pai, só tem gente feia nesse hospital.

– Não diga isso filho – tentando inocentemente corrigir a má impressão – olha só, a enfermeira que te atendeu na pediatria é bonita não é?

– É… ela é bonita.

E voltamos para a pediatria onde a tal enfermeira iria aplicar a tal dipirona, enquanto ela preparava o medicamento eu aguardava em uma cadeira com o Wini no colo quando ele solta.

– Meu pai falou que você é bonita!

Arregalei os olhos na impossibilidade de corrigir ou mesmo explicar de uma forma digna o comentário do menino. A jovem igualmente constrangida pergunta.

– Ele toma no braço ou no bumbum?

– Onde dói mais? – pergunto vingativamente.

Depois de aplicada a injeção aguardamos ela fazer efeito, depois de trinta minutos nada de passar a febre, a médica aparece na porta.

– A febre cedeu pai?

– Ainda não doutora.

– Então dê um banho nele no chuveiro da pediatria, vai funcionar.

Lá vou eu explicar para o menino.

– Filho, vamos te dar um banho.

– Banho para que pai?

– Para baixar sua febre.

– E eu tomei injeção para que então?

Dado o banho a resistente febre finalmente baixou e ele pode fazer o exame de sangue sobre protestos. Depois de pronto o resultado a médica disse que o exame tinha saído muito fora dos padrões, possivelmente por causa da febre. Pediu uma ecografia.

Eu posso ter alguma deficiência mas me respondam, alguém consegue realmente ver alguma coisa na maquina de ultra som? Para mim é apenas uma tela com estática. Feito o exame a pediatra observou, fez aquela cara de “xiiii”

– Vou confirmar com um cirurgião, mas seu filho parece estar com apendicite.

Recordei rapidamente o que era apêndice, me lembrei que era uma parte do intestino que serve para ferrar com sua vida tanto quanto o dente do siso e outras coisas da natureza como a sogra. Fomos aguardar o cirurgião que declarou:

-É… seu filho está com apendicite, vamos ter que operar.

Mantive a calma, pensei eu, vamos marcar algumas consultas, um dia para interná-lo, operar no dia seguinte, tudo planejado e com calma. O médico continuou.

– Vamos interná-lo agora e operar em umas três horas.

– O que?!?!?

– O senhor leva esses papeis ali, assina aqui, faz isso acolá.

E eu com cara de “como assim”, saímos de casa esperando voltar para ainda ver as séries que fez download a tarde e de repente vão abrir a barriga do meu filho?

Wini ficou mais tranqüilo do que eu quando expliquei o que ia ser feito e uma hora depois de sair da sala do cirurgião ele dormiu no meu colo e foi imediatamente transferido para a sala de cirurgia. Entregaram-me uma daquelas roupas azuis para vestir e o Wini acordou a caminho do centro cirúrgico comigo do lado, brincamos, conversamos, ele continuava tranqüilo.

Chegou a hora de colocá-lo na mesa da cirurgia, fiquei com dó dele fazendo aquela carinha de “está doendo”, entrou o anestesista e injetou um troço branco no soro que estava no braço do menino ele virou os olhos pra cima e ficou mudo, injeta outra coisa no soro e ele apaga em meio segundo. Juro que fiquei com vontade de socar o anestesista enquanto gritava “não mexe com meu filho pô”, mas me segurei.

Desse ponto em diante fui expulso da sala de cirurgia, depois de cinqüenta minutos uma enfermeira me avisa que estava tudo bem e que ele iria para o quarto assim que a anestesia perdesse efeito.

Passei quarto dias dormindo no sofá do quarto vendo ele com dores, fazendo carinho, conversando, falando com Papai do Céu, na tarde do quarto dia ele recebeu alta, e hoje sei que já está bem mais saudável por que temos que gritar com ele:

– Menino, para de pular que você vai abrir esses pontos caramba!!!!!

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9 Respostas to “Eu, o Wini e o hospital”

  1. Dani Doduti Says:

    Ah! Essas crianças!

    Torci muito por vcs, viu? Fico feliz em saber que ele já está pulando por aí! =)

    Mas e aí? Conseguiu o telefone da enfermeira? 😉

  2. Tatiana Says:

    RT: @doduti Mas e aí? Conseguiu o telefone da enfermeira

  3. Juliana Queiroz Says:

    Lendo sua hostória, imagino como deve ter sido difícil ..
    A pouco mais de 2 meses, passei por uma situaçao parecida com minha mãe (mas a doença era um pouco diferente). Ela ainda não pula, mas já está bem! rs

    Melhoras pro pequeno! =)

  4. Rics Says:

    A Nanda tava me passando o relatório todos os dias lá em casa. Que bom que está tudo ok agora! Que aperto. Eu sou muito besta pra essas coisas, acho que ia ficar com o coração na mão também de ver a Sophia entrando pra operar…

    Grande abraço,
    Rics

  5. Nanda Says:

    Ai, graças a Deussssss!!! Fico mto aliviada que estão bem!
    E olha… Tinha q ter aproveitado a deixa do Wini e pegado a enfermeira! kkkkkk
    bjo

  6. Herika Says:

    Esse post me fez chorar. Como deve ter sido difícil ver o pequeno doente e não poder arrancar a dor no tapa =p
    Fico feliz que ele esteja bem agora. Filhão de sorte por ter um pai tão dedicado.
    Beijos!

  7. Nilda Says:

    Logo que comecei a ler o post intui que era apendicite… meu sobrinho teve quando tinha uns 3/4 anos.. só sabia dizer que a barriga doía. Dava vontade de chorar venod ele na enfermaria, mas apendicite é assim: quando diagnosticada, tem que operar na hora.
    E agora o Wini tem uma cicatriz pra mostrar pros coleguinhas…

  8. Rose Says:

    Quase chorei no finalzinho, na parte da anestesia. Instinto materno?

  9. Renata Says:

    Oi, Cadu,
    Passei uma parecida com meu filhote. Ele tinha 1 ano e meio e teve que operar hidrocele e fimose. O cirurgião é ótimo, renomadíssimo — e, graças, conveniado do meu plano de saúde –, a clínica era legalzinha, o anestesista examinou o menino antes de entrar na sala de cirurgia. LEvei o pequeno no colo até a porta do centro cirúrgico, onde o cirurgião, um amor, o pegou no colo com todo o carinho e tentou acalmá-lo. O corredor que separava o CC do nosso quarto era pequeno, e eu dei aqueles poucos passos um pouco apressada. Estava doida pra entrar no quarto e fechar a porta para poder chorar em paz.
    Quando seu filho está doente, pouco importa que o problema seja simples, a cirurgia, rotineira, os profissonais, competentíssimos. É o seu (sua) pequeno (a) que tá ali, entrando na faca. Chorei feito bezerro desmamado por vários minutos e gastei uma ligação interurbana de celular pra poder chorar minhas pitangas ao telefone com minha melhor amiga, a madrinha do meu filho.
    Filho nunca deveria ficar doente, não deveria sentir dor, não deveria sofrer nunca. Cada febrezinha neles — e o meu está com infecção de garganta, tomando antitérmico direto — é uma facada no coração da gente. Quem nunca ficou com nó no estômago ao ver o filho doente, que atire a primeira pedra!
    Tudo de bom pra você e sua galerinha.

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