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Como NÃO dar uma notícia

30/04/2009

A idéia desse post surgiu enquanto eu lia o Mamie Bella, um um website do Boticário que sobre um concurso para eleger a grávida mais bela do Brasil, e divulgar uma linha de produtos claro [onomatópeia de caixa registradora].

Já conheceram aquela mulher que não é um mulherão, não tem nada de extraordinário, mas você vê nela uma beleza especial. E sempre tem alguém querendo conhecê-la. Aquela que sem exibir demasiadamente o corpo consegue ser bonita e chamar a atenção quando passa na rua ou quando senta em uma mesa de bar com as amigas.

Essa mulher tem um brilho de vida. É essa a palavra: vida. Com muitas mulheres grávidas acontece a mesmas coisa, e se você pensar bem, ela tem o dobro de vida. Fiquei olhando as fotos das concorrentes, acho lindo mulher grávida.

Mas estou me estendendo demais nessa explicação, esse assunto é para outro blog (seja ele qual for).

A experiência que eu queria contar a vocês foi como eu recebi a notícia que ia ser pai.

A mãe das crianças sempre teve problemas com hormônios, e essas coisas de mulher (obrigado por ter nascido homem), ela estava algumas semanas atrasada e fomos ao médico. Na sala de espera folheava aquelas revistas velhas pensando se iria falir o médico comprar o jornal do dia para deixar lá. A atendente chamou:

– Senhora Fulana?

Levantamos os dois.

– Posso ir sozinha? – me perguntou ela.

– Ok. – Estranhei, mas concordei sem discutir, e me sentei de novo.

Ela voltou em alguns minutos, paguei a consulta e saímos do consultório, ela sem falar uma palavra. Começamos a caminhar, quebrei o silêncio.

– E ai?

– E ai o que? – respondeu ela.

– Como foi?

– Foi legal.

Legal? O que diabos isso significa? Comecei a ficar intrigado sem nem desconfiar o que estava por vir.

– Como assim legal? O que o médico disse?

– Bem, ele disse que, se correr tudo bem, em uns oito meses você vai ser pai.

E ai o mundo ficou branco, o chão sumiu dos meus pés, perdi a noção do que era direita, esquerda, acima, abaixo, não tinha gravidade, o ar escapou dos meus pulmões, nem sombra eu fazia mais. Tomei a única atitude sensata naquele momento. Sentei no chão, no meio da calçada.

– Você ta bem? Levanta.

– …

– Fala alguma coisa.

– …

Ela começou a me puxar pelo braço. Tentei levantar sem sucesso.

– …

– Levanta, está todo mundo olhando.

Comecei a levantar devagar.

– Tudo bem? – ela perguntou de novo.

– Minha nossa… ISSO É JEITO DE DAR ESSA NOTÍCIA?!?! – desabafei enquanto sentia o mundo reiniciar seu movimento de rotação.

Tudo muito bom

28/04/2009

Hoje pela manhã meu celular/despertador começou a tocar e eu comecei a tatear desastrosamente a mesa em busca dele, abri os olhos e minha filha estava com ele na mão, já estava vestindo o uniforme da escola.

– Pode dormir mais um pouco papai.

– Ok – respondi meio sonolento e puxei as cobertas sobre os ombros, em seguida levantei em um estalo.

Pisquei os olhos e a Linda realmente estava saindo do meu quarto.

Levantei e o menino estava acabando de trocar de roupa sozinho, me deu bom dia e pediu para eu amarrar seu tênis.

Fui à cozinha e a Linda estava terminando de bater leite com chocolate, olhei pela janela e um lindo céu azul, como só temos em Brasília, sem uma única nuvem era iluminado por um sol matinal.

Chegamos ao colégio no horário, me despedi das crianças e fui pegar o ônibus para o trabalho. Quando sentei no fundo do ônibus encolhi os ombros e olhei para os lados sem mexer a cabeça desconfiado.

– Não é possível, alguma coisa vai dar muito errada no dia de hoje. Certeza!

Na hora de dormir

27/04/2009

Meus filhos antes de virem morar comigo estavam com a mãe e a avó materna, lá eles adquiriram o hábito de dormirem na cama da mãe ou na cama da avó. Aqui eu providenciei um quarto para eles dividirem e uma cama para cada.

No meio da noite a menina bate à minha porta.

– Pai, estou com medo.

– Medo do que filha?

– Do escuro.

– Teu pai é escuro, você tem medo de mim?

– Hã???

– Esquece. – pego ela pela mão e levo até o quarto, acendo a luz.

– Veja, tem algo aqui para ter medo?

Lá estava o guarda-roupa com adesivos colados a porta, a cama dela cheia de bichos de pelúcia e o irmão dormindo na cama ao lado.

– Não.

– Então, no escuro é a mesma coisa, mas sem luz.

– Deita comigo um pouco?

– Filha – me abaixo para falar com ela – você tem sua cama, o papai tem a dele, o Wini tem a dele. Cada um dorme em sua cama.

– Por favor.

– Ok, vou sentar aqui no cantinho e esperar você dormir.

Em alguns minutos ela pegou no sono e eu babei na cadeira até ser desperto pela gravidade tentando me levar ao chão.

Pensei em como minha mãe, Dona Juju, resolveu esse problema comigo e a lembrança dela gritando: “-Vai dormir que não tem nada ai menino, não acende mais essa luz” me pareceu eficiente mas um pouco abrupta.

No dia seguinte pela manhã coloquei um torrent para baixar adquiri toda a primeira temporada de “As Terríveis Aventuras de Billy e Mandy“. Para quem não conhece é um desenho da Cartoon Network onde Billy, um garoto absolutamente estúpido, e Mandy, uma menina completamente mau humorada e sádica, fazem amizade com o Ceifador Sinistro, ou seja, a personalização da morte, apilidado por eles de Puro-Osso.

O desenho é cheio de zumbis, vampiros, fantasmas e leve humor negro. Aproveito os episódios para falar com eles sobre como essas coisas não existem e que se sonharem com elas devem aproveitar que é um sonho mesmo e chutar o traseiro fantasmagórico deles com muita força.

Música

25/04/2009

Não vivo sem música, adoro apesar de achar que eu canto tão bem quanto um liquidificador velho.

Meu menino veio morar comigo e tivemos uma conversa logo nos primeiros dias.

– Você gosta de música filhão?

– Sim – respondeu sem tirar os olhos de um boneco Max Steel que em suas mãos fazia um cross-over com o Superman

– Que música você gosta filhão? Canta uma pra mim.

– Não.

– Por que não?

– Tenho vergonha

Haaaaa, que fofo, torturei ele com cócegas até ele concordar.

– Tá bom, tá bom… – então ele começou – “Fada… fada querida,Dona da minha vida, Você se foi, levou meu calor,Você se foi, mas não me levou”

Não reconheci, perguntei.

– Quem canta isso filho?

– Victor e Léo!

– Quem?

– Victor e Léo!

A uns meses atrás ele tinha me pedido para ir ao show deles, enrolei e mudei de assunto. Sim, comecem a tacar pedras em mim, não gosto, não gosto de Victor e Léo e não gosto de música sertaneja, não gosto daquele bando de pessoas que nunca viu uma galinha sequer ao vivo colocar uma camisa xadrez, um chapéu e ir para a balada.

Com todo meu jeitinho e cuidado eu fui expondo delicadamente meu ponto de vista.

– Victor e Léo É feio – notem o verbo no singular, como se eles fossem um só, isso é um outro problema de duplas sertanejas.

– Não é – argumentou eloqüentemente o menino

– É sim!

– Não é!

– É sim!

– Elvis é mais feio ainda!

Ok, de certa forma ele sem querer admitiu que a famigerada dupla sertaneja é feia, mas dar esse mesmo adjetivo ao Rei foi um sacrilégio.

– Que isso menino, respeita o Elvis!

Hoje estamos em um tratamento intensivo com base em muita Elis Regina, Adriana Calcanhoto, Palavra Cantada. A menina já canta águas de março quase inteira, e o Wini adora Ciúmes dos Titãs e O samba de uma nota só.

Mas outro dia eu o flagrei cantarolando algo sobre borboletas e jardins. Será que estão fornecendo essas drogas para ele na escola?

Me joga no google me chama de pesquisa…

24/04/2009

Esse post não vou falar de filhos, mas para falar do “Concurso do Blogueiro mais Bonito” promovido pelo website Monalisa de Pijamas.

Conheço as monalindas da época que eu tinha o Pastel de Feira Podcast (sinto muita saudades de gravar podcast 😦 ) e a Dani Doduti já tinha comentado aqui que eu estava participando, mas não achei que eu iria tão longe. Tirei o quarto lugar, acho que isso significa que minha mãe não mentiu para mim quando disse que eu era bunitinho, :p

Obrigado as jurados Mafalda, Eubalena, Doduti, Jonny Ken, Gê, Bruno e Luana.

Fica ai o dica para quem ainda não conhece o Monacast e o Monalisa de Pijamas.

E ainda a tempo “Me joga no google me chama de pesquisa…” gritado pelo Bruno ou pelo Jonny, não deu pra saber, me fez rir absurdamente.

Papai não sabe

16/04/2009

Estávamos eu e as crianças em uma fila no shopping, um pouco mais a frente um rapaz com uma opção sexual diferente da tradicional vestindo uma calça tipicamente feminina, com sapato de salto alto tipicamente femininos, uma blusa tipicamente feminina e segurando uma bolsa que seria denominada por alguns como absolutamente fashion, e claro, com a maior cara de homem.

A menina foi a primeira a perceber.

– Pai, aquele é homem ou mulher?

Pensei em explicar sobre o terceiro sexo, mas se eu tomasse esse caminho teria que explicar sobre os outros dois com mais detalhes.

– Bem filha, é…. não sei!

– Não sabe?

– É filha, papai não sabe se é homem ou mulher.

Então o menino se manifestou.

– Vamos lá perguntar pra ele.

– Não filho, não vamos!

– Porque pai?

– Por que ele também provavelmente também não sabe.

Você é linda!

13/04/2009

O Lucas anda chamando todo mundo de lindo. A avó, o avô, as tias, até pelo telefone ele fala que o pai é lindo. Todo mundo se derrete. E realmente, seria a coisa mais óun do mundo se ele não tivesse segundas intenções.

É automático, a reação de qualquer um que ouve ele dizer  “Você é linda!”  é responder: “Obrigada, você também é lindo”. Pra testar, eu apenas agradeci. Ele logo perguntou: “Eu não sou lindo?”

Ele só chama os outros de lindos pra ser chamado de lindo também!

Exame de sangue

04/04/2009

A dois dias levei as crianças para visitar o médico. Lá uma simpática doutora de meia idade pediu uma série de exames, incluindo um hemograma. Hoje de manhã fomos recolher o material.

– Aonde vamos pai?

– Vamos fazer exame de sangue!

– NÃO!!!! – em coro

– Calma, calma, é preciso fazer, e não dói quase nada.

– Quase nada? – pergunta a menina

– Sim, quase nada!

– Então dói alguma coisa.

Reflito um segundo sobre a lógica dela.

– Bem, dói igual à picada de um mosquito, mas sem a parte de ficar coçando.

Chega à hora da extração, a Linda foi primeiro, sentou-se, e ainda olhou para a agulha, não deu um gemido se quer.

Então veio a vez do menino, um pouco mais nervoso, vi os olhinhos enxerem de lágrimas, mas ele engolir o choro e ficar observando o sangue encher a seringa.

Na saída do laboratório converso com eles.

– E então? Doeu muito Wini?

– Não, para tirar não doeu, vai doer depois pai?

– Depois? Depois do que?

– Para colocar o sangue de volta. Vai doer muito?