Archive for fevereiro \28\UTC 2009

Lentes de contato

28/02/2009

Uma das minhas resoluções de ano novo foi colocar lentes de contato, realizei semana passada. Chego em casa e a mais velha pergunta.

– Onde estão seus óculos pai?

– Papai não vai mais usar óculos.

– Por que não?

– Porque agora papai usa lentes de contato. E ai? Papai ficou mais bonito.

– Huuuuuuuu…… não!

No dia seguinte ela vê minha dificuldade em frente ao espelho do banheiro para fazer uma das lentes ficar no lugar e fala.

– Por isso que papai tem que usar óculos.

– Não, não tenho.

– Tem sim.

– Não, não tenho não!

– Tem sim!

– Tomara que você herde minha miopia.

– Como assim?

– Esquece, depois da sua puberdade e de uma visita ao oftalmologista a gente conversa.

Medo do escuro

26/02/2009

Fuçando em algumas caixas encontrei uma cópia do jogo “Heart Of Darkness” e resolvi instalar para as crianças. Eles adoraram, jogaram umas duas horas, depois jantaram e chegou a hora de ir pra cama, foi ai que a pequena falou.

– Pai, deixa a luz acessa?

– Por que filha?

– Para que as sombras não peguem a gente que nem no jogo.

E então o menino manifesta toda a sua máscula coragem.

– Que besteira Linda, isso é coisa de mulherzinha mesmo. Pai, pode apagar a luz.

– Filha – sento do lado da cama dela – não existem monstros, fantasmas, vampiros, lobisomens, mulas-sem-cabeça, sacis, dragões, zumbis, mortos-vivos ou aliens gosmentos. Você não precisa ter medo de nada disso.

Então o menino se manifestou de novo.

– Pai, depois que você falou isso tudo ai, acho melhor deixar a luz acessa sim.

Eu e a criança

26/02/2009

Era um pai presente, amoroso, do tipo que sabia dar banho, papinha, fazia massagens pra passar a cólica, carregava de cavalinho e rolava no chão pra brincar. Daqueles que separava o pedaço mais gostoso pro filho, que levava no parque, que brincava na areia e levava onde não dava pé no mar.

Ele era assim, até o dia em que foi abduzido. Os aliens levaram embora esse pai perfeito e deixaram no lugar um homem egoísta, que diz que ama o filho mas não demonstra. Que fica três meses sem telefonar, que o abandonou materialmente e não se preocupa se ele tem o que comer ou o que vestir. Podem me achar louca, mas prefiro acreditar na hipótese da abdução. Acho mais fácil acreditar nisso do que em que uma pessoa pode mudar tanto assim.

Essa é a história da minha separação.

E foi assim de repente que me vi sem marido, sem casa, sem dinheiro mas com um filho pra criar. Assustador, mas dei conta e hoje faço de tudo pra que meu filho não sinta tanto a ausência do pai.

Não foi fácil, mas não serei a primeira nem a última mãe a passar por isso. Apenas faço de tudo para ser a melhor. Do meu jeito.

Prazer, eu sou a Daniela, mãe de um menino de três anos, o Lucas Yukio (acho que ter filho com nome japonês é pré-requisito pra esse blog). Sou uma mulher muito legal, mas não mexe com meu filho que eu viro bicho!

Reunião de pais e mestres

24/02/2009

Por algum motivo antes da reunião começar quem devia ter aberto e preparado a sala não o fez. Resultado: um aglomerado de pais no corredor do colégio, na verdade mais um aglomerado de mães e um ou dois pais. Do meu lado uma das mães puxa conversa.

– Oi. Sou a mãe do Fulano.

-Oi, bom dia, sou o pai do Winícius. – e fiquei esperando um comentário do tipo, “haaaa, você que é pai dele”.

– Essa é sua esposa? – Apontando para uma mulher diretamente atrás de mim.

– Não, eu vim sozinho.

– Haaa, a mãe deles está trabalhando?

– Não, as crianças moram comigo.

– Entendi, e quem cuida deles? A avó?

– Não, eles moram comigo, sozinhos.

– Mas quem cuida deles?

Olho para ela com as sombrancelhas arqueadas por alguns segundos.

– Eu. Eu cuido deles.

– Haaa, mas… – interrompo bruscamente

– Veja, abriram a porta –  e entro para a sala procurando um lugar para me sentar.

Guarda-roupa

16/02/2009

Minha filha hoje entrou no meu quarto e olhou as roupas que eu tinha acabado de lavar jogadas na minha cama e disse:

– Papai, posso dobrar e guardar suas roupas?

– Não precisa filha.

– Mas eu quero.

– Não precisa, pode ir brincar. Você é um doce.

– Mas eu gosto pai.

– Ok, já que você insiste, pode arrumar.

Sai do quarto para lavar alguns lençois e quando voltei ela tinha jogado TODAS as minhas roupas que estavam no guarda-roupa em cima da cama de tal maneira que a cama sumiu. E lá estava ela dobrando peça por peça e colocando de volta. Me assustei, mas não interrompi.

As vezes ela me procurava perguntando onde devia colocar uma determinada peça.

Ao terminar ela me chamou para mostrar. Ela separou as peças por tipo, dobrou e colocou todas no guarda-roupa de tal maneira que ficou melhor do que estava antes.

ELA TEM APENAS OITO ANOS!!! o.O

Desperta-DOR

12/02/2009

Sobre o post de ontem me mandaram esse vídeo

Botão soneca

11/02/2009

Acordo à 5:30 da manhã, aliás, o despertador toca as 5:30 da manhã, acordar mesmo é outra história.

– Droga, cadê o maldito botão de “soneca”, mais dez minutos apenas.

Despertador toca de novo

– Como as pessoas faziam antes do botão “soneca”? – aperta de novo.

Despertador toca mais uma vez, ou duas, confusão mental.

– Levantar, levantar, preciso levantar – bocejo – olha o relógio. Mas que grande @#$%&!!!!!!

Corre para o banheiro, no caminho passa pelo quarto das crianças, acende a luz arranca os cobertores de cima deles

– Bom dia filhos, amo vocês, hora de levantar, papai já deixou vocês dormirem de mais (sem falar em mim mesmo).

Entro no banho quase ao mesmo tempo que acabo de tirar a roupa enquanto grito para a Linda colocar a toalha na mesa para tomarmos café da manhã.

Saio do banheiro ainda escovando os dentes, passo na cozinha e jogo três bananas no liquidificador e coloco o leite por cima enquanto estico o outro braço e pego a camisa que ficou pendurada na janela para secar. Tudo ao mesmo tempo.

– Linda calce seu tênis, Wini escove os dentes, e não você não pode voltar pra cama.

Visto-me no quarto praticamente pulando dentro da calça e encaixando os pés nas meias/sapato. Clark Kent não faria mais rápido. Enquanto visto a camisa ligo o torrent para baixar as séries da semana. Saio do quarto.

– Papai vai à padaria, arrumem suas camas – desligo o liquidificador que já estava andando pela pia.

Na padaria não tem fila. Diálogo com a vendedora.

– Quero três pães franceses.

– De sal?

– O que?

– Pão de sal?

– Pão francês!

– É a mesma coisa que o francês?

– Você é nova aqui né?

– Sou – envergonhada.

– É aquele ali ô. E me vê rapidinho que eu to com pressa. De sal, francês, tanto faz.

Volto pra casa Linda colocou os pratos e copos na mesa. Tenho a melhor filha do mundo. O Wini arrumava a cama dele.

Tomam café enquanto eu mastigo o meu pão sem segura-lo com as mãos (habilidade que apenas depois de muita prática pode ser usada com perfeição) enquanto faço o lanche deles, e grito para que arrumem as bolsas e confiram se não está faltando nada.

Tudo pronto.

– Vamos, vamos, vamos. Não podemos atrasar.

E continuo me perguntando, como as pessoas viviam antes do botão soneca do despertado.

Relacionamentos

10/02/2009

Se relacionar com um pai/mãe solteira é complicado. Ok, confesso que entendo apenas da parte masculina do negócio, mas quem sabe mais tarde não chamo uma mãe solteira para dar a impressão dela sobre esse assunto.

A verdade é que no momento que você resolver ter algo sério com um pai solteiro, tem que ter em mente que em toda equação envolvendo as crianças e você, você vai ficar em segundo plano. Mas não é sua culpa, o que acontece é que quanto você se torna pai sua órbita é em volta dos filhos. Você trabalha para pagar as contas deles, você sai para fazer compras para eles, você vai ao shopping para levá-los.

Claro que isso diminui muito dependendo da idade das crianças, quanto mais velhos mais fácil é, por que eles serão menos dependentes, no entanto, quanto mais novos, menos tempo de dedicação vai ser possível dar ao relacionamento.

Se você resolver entrar nessa, tenha certeza que dá conta do recado, ou pode acabar magoando ou sendo magoado(a).

Primeiro dia de aula do ano

09/02/2009

Ontem (domingo) eu chamei as crianças e sentei com elas na frente do computador. Fizemos uma tabela sobre como seria nossa rotina com o início das aulas, puxa daqui, ajusta dali, descobri que eu terei que acordas as 5:30 da manhã e que não vou mais ter tempo pra academia nem para outras coisas, tipo dormir tarde.

Hoje as 6:10 eu entrei no quarto deles tentando passar toda animação possível.

– Bom dia meus queridos, vamos levantar, primeiro dia de aula \o/ –  deixei a luz do quarto acessa e fui ligar o rádio para ouvir as notícias da manhã.

Voltei para o quarto deles

– Bom dia meus queridos – subo na cama de um por vez – vamos levantar, ninguém quer chegar tarde no primeiro dia de aula.

A Lindoca sentou na cama ainda com os olhos fechados e o Wini puxou a coberta sobre a cabeça. Pensei em abrir a janela para deixar o sol entrar mas ainda não tinha sol. Volto para meu quarto para trocar de roupa.

Entro no quarto deles pela terceira vez

– Negócio é o seguinte, quem não pular da cama agora vai ficar sem café da manhã – e começo a puxar o menino pelo pé enquanto ele tenta se segurar no colchão.

Saimos as 7:15 de casa, o colégio fica a uns 15 minutos de caminhada mas eu queria chegar mais cedo hoje para conhecer as professoras e conversar com elas sobre.

Depois de deixa-los na sala cheguei a lembrar do meu tempo de escola, como era a sensação, quase voltei para abraço-los nessa hora, mas seria constrangedor para eles, e para mim ainda mais.

Material escolar

07/02/2009

Hoje eu com auxília da minha sempre prestativa namorada fomos pesquisar preço de material escolar para as crianças, andamos em várias lojas lotadas de pessoas até a tampa.

As crianças ficaram stressadas com isso, eu fiquei stressado com os preços, a minha namorada ficou stressada com as crianças.

A parte boa foi almoçar no Sushi Way, cena curiosa, uma gaúcha, um negro e duas crianças comendo sashimi com hashi. Quando eu tinha a idade deles comida japonesa era difícil de achar, comer de hashi então era ainda mais. Falando nisso estou usando cada vez mais expressões como “quando eu tinha a idade deles” ou “na minha época”, definitivamente estou ficando velho.